Vizinhos contam que pais de criança presa em barril pareciam ser ‘gentis’

Os moradores do bairro Jardim Itatiaia, na periferia de Campinas, interior de São Paulo, foram surpreendidos com a notícia de que uma criança era mantida em cárcere privado dentro de um barril em uma das casas da localidade. O caso descoberto no último sábado, 30, pela Polícia Militar e, chocou os moradores da cidade.

Segundo informações fornecidas pelos vizinhos da casa em que o menor era mantido em condições desumanas, contam que não percebiam a rotina da família. Uma das vizinhas contou que pouco via o pai da criança, mas a companheira dele, era conhecida no bairro e aparentemente muito gentil.

Mas, segundo os vizinhos, algo chamou a atenção: tudo sempre acontecia do portão da casa para fora. “Nunca entrei lá, nem ninguém aqui no bairro podia passar do portão. A gente achava estranho, mas pensávamos que eles queriam discrição, algo assim”, contou a jovem que não quis se identificar.

De acordo com o 2º sargento Mike Jason, que acompanhou a ocorrência, a mulher cuidava de cerca de 13 cachorros. “Ela tinha uma ONG, não sei se legalizada, mas cuidava dos cachorros abandonados. Tanto que você via que eles estavam bem tratados, enquanto que, em cima, mantinha uma criança sem comida”, comentou.

Os vizinhos passaram a desconfiar que algo de errado acontecia na casa após enxergarem um ‘vulto’ através de um buraco numa parede, há pelo menos um ano.

“A gente sabia que a relação deles com a criança era meio tumultuada, eles reclamavam muito que o menino era hiperativo. Começamos a estranhar quando notamos que o menino não aparecia mais na rua para brincar, como sempre fazia”, contou outra vizinha, de 42 anos.

Segundo eles, por várias vezes tentaram obter alguma informação, porém, a família nunca se abria. Até que chegou o dia em que conseguiram ver o rosto da criança. Uma denúncia foi feita ao Conselho Tutelar, e depois outra à Polícia Militar, que encontrou o menino dentro do barril.

A criança estava muito magra e debilitada. O menino foi encaminhado ao Hospital Ouro Verde, onde segue internado. De acordo com a Prefeitura de Campinas, o menino tem “boa condição de saúde”.

A criança está com quadro de desnutrição grave, e continuará internado até alcançar o peso considerado adequado para a idade.

Segundo informações do irmão do acusado, ele também não tinha acesso à residência e, todas as vezes que precisou falar com o irmão, sempre era do portão para fora.

“Se eu soubesse que essa situação estava acontecendo, jamais iria permitir. Meu irmão se afastou da família há alguns anos. Apesar de morar no mesmo bairro, não tínhamos tanto contato. Mas, quando fui na casa dele, fui recebido apenas pela namorada dele, do lado de fora”, afirmou, Paulo Henrique dos Santos.

Boato de soltura

Na noite do domingo, 31, mensagens em aplicativos foram compartilhadas com a informação de que a mulher havia sido liberada da delegacia. Mas, de acordo com a Polícia, a informação é falsa. Tanto ela, quanto o homem e a meia-irmã do menino permanecem presos.

Um boletim de ocorrência foi registrado por crime de tortura, que pode dar de dois a oito anos de prisão. Com relação as mulheres, como omissão, a reclusão pode variar de um a quatro anos. A Polícia Civil também determinou fiança de R$ 5 mil para elas. O mesmo ainda não foi pago.

Conselho Tutelar conhecia os problemas, mas não a gravidade

Segundo o conselheiro tutelar da região Sul de Campinas, Moisés Sesion, houve falha no acompanhamento do menino. “O Conselho sabia que a família tinha problemas de relacionamento, o histórico com uso de drogas, e por isso tinha o acompanhamento da equipe de ‘média complexidade’ para casos assim. Mas, nunca havia chegado a informação de que o menino era mantido nessas condições”, disse em entrevista coletiva.

Ainda de acordo com o conselheiro, assim que o órgão acolhe uma informação de que uma família está em situação de vulnerabilidade, é encaminhado o caso para equipes responsáveis.

O menino neste momento é acompanhado por profissionais ligados ao Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social) e o Caps-IJ (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil), e passará por avaliação para observar uma possível doença psiquiátrica.

“Não há nenhum diagnóstico que confirme que o garoto esteja doente. Pode ser hiperatividade normal da idade. Nem no Caps há uma confirmação com 100% de certeza”, conta Sesion.

Com relação a denúncia feita pelos vizinhos, o conselheiro informou que o órgão não tem a função de “investigar denúncias” e, o Ministério Público já foi notificado sobre o caso.

Diante da repercussão do caso, as equipes se reunirão para descobrir “onde” houve a falha de acompanhamento do caso.

Com informações do UOL

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